Hora extra não paga é o direito mais comum de todos — e o mais fácil de passar batido, porque ela simplesmente não aparece no holerite. Se você ficava depois do horário, almoçava em menos tempo do que devia ou respondia mensagem do trabalho à noite, isso pode ser cobrado.
Quanto vale cada hora extra
A hora extra vale, no mínimo, 50% a mais que a hora normal. Em domingos e feriados, o adicional mínimo é de 100%. Se o adicional previsto em convenção coletiva for maior, vale o da convenção.
Quando a hora extra é devida
- Trabalho além de 8 horas diárias ou 44 semanais (jornada padrão).
- Intervalo de almoço reduzido — o tempo suprimido é pago como hora extra.
- Intervalo entre jornadas menor que 11 horas.
- Trabalho em domingo ou feriado sem a folga compensatória.
- Horas em regime de sobreaviso ou à disposição do empregador.
- Banco de horas usado sem acordo escrito ou sem compensação dentro do prazo.
As horas extras "invisíveis"
Muita jornada extrapolada não é registrada no ponto. Celular com mensagens do chefe à noite, notebook levado para casa, chegada antecipada para abrir a loja, saída depois do fechamento. Nesses casos, a prova pode ser construída: conversas, e-mails com horário, escalas, testemunhas e até o próprio controle de ponto quando ele existe e não bate com a realidade.
O que separar
Holerites, cartão ou registro de ponto, escalas, conversas de WhatsApp e e-mails com horários, nomes de colegas que testemunhariam e, se possível, o contrato de trabalho. Registro fotográfico do ponto também serve.
Horas extras refletem em outros valores
Quando a hora extra é habitual, ela entra na média para calcular férias, 13º salário, aviso prévio, FGTS e o próprio 40%. Ou seja: o valor real do que você deixou de receber é maior que a soma das horas — e é isso que costuma ser esquecido na conta.
E se eu ainda estou empregado?
Você pode cobrar mesmo durante o contrato. Se houver medo de retaliação, isso é levado em conta na estratégia: existem caminhos para preservar o emprego enquanto o direito é discutido.